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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Veja o carro do Google que dirige sozinho em ação


O Google mostrou seus primeiros carros que dirigem sem intervenção humana. Os protótipos foram colocados em teste na Califórnia, EUA, onde fica a sede da companhia.
"Desenhado para aprendizado, não luxúria", como diz a empresa, o veículo é simples. Há apenas dois lugares, ele não tem volante, pedais ou câmbio, só botões para ligar edesligar, um monitor que mostra a rota e um espaço para guardar os pertences dos passageiros. O carro chega a 40 km/h e é equipado com sensores que cobrem os pontos cegos.
Até meados de setembro, o Google planeja construir cerca de 100 unidades para colocar em teste, mas esses modelos terão controles manuais. Caso tudo dê certo, a empresa usará os próximos anos para tocar um programa piloto na Califórnia.

domingo, 4 de maio de 2014

Cientistas descobrem como os egípcios moveram pedras gigantes para formar as pirâmides

egypt
Uma civilização antiga, sem a ajuda de tecnologia moderna, conseguiu mover pedras de 2,5 toneladas para compor suas famosas pirâmides. Mas como? A pergunta aflige egiptólogos e engenheiros mecânicos há séculos. Mas agora, uma equipe da Universidade de Amsterdã acredita ter descoberto o segredo – e a solução estava na nossa cara o tempo todo.
Tudo se resume ao atrito. Os antigos egípcios transportavam sua carga rochosa através das areias do deserto: dezenas de escravos colocavam as pedras em grandes “trenós”, e as transportavam até o local de construção. Na verdade, os trenós eram basicamente grandes superfícies planas com bordas viradas para cima.
Quando você tenta puxar um trenó desses com uma carga de 2,5 toneladas, ele tende a afundar na areia à frente dele, criando uma elevação que precisa ser removida regularmente antes que possa se ​​tornar um obstáculo ainda maior.
A areia molhada, no entanto, não faz isso. Em areia com a quantidade certa de umidade, formam-se pontes capilares – microgotas de água que fazem os grãos de areia se ligarem uns aos outros -, o que dobra a rigidez relativa do material. Isso impede que a areia forme elevações na frente do trenó, e reduz pela metade a força necessária para arrastar o trenó. Pela metade.
thesetupinth
Ou seja, o truque é molhar a areia à frente do trenó. Como explica o comunicado à imprensa da Universidade de Amsterdã:
Os físicos colocaram, em uma bandeja de areia, uma versão de laboratório do trenó egípcio. Eles determinaram tanto a força de tração necessária e a rigidez da areia como uma função da quantidade de água na areia. Para determinar a rigidez, eles usaram um reômetro, que mostra quanta força é necessária para deformar um certo volume de areia.
Os experimentos revelaram que a força de tração exigida diminui proporcionalmente com a rigidez da areia… Um trenó desliza muito mais facilmente sobre a areia firme [e úmida] do deserto, simplesmente porque a areia não se acumula na frente do trenó, como faz no caso da areia seca.
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Estas experiências servem para confirmar o que os egípcios claramente já sabiam, e o que nós provavelmente já deveríamos saber. Imagens dentro do túmulo de Djehutihotep, descoberto na Era Vitoriana, descrevem uma cena de escravos transportando uma estátua colossal do governante do Império Médio; e nela, há um homem na frente do trenó derramando líquido na areia. Você pode vê-lo na imagem acima, à direita do pé da estátua.
Agora podemos finalmente declarar o fim desta caçada científica. O estudo foi publicado naPhysical Review Letters. [Universidade de Amsterdã via Phys.org via Gizmodo en Español]
Imagens por wmedien/Shutterstock; Al-Ahram Weekly, 5-11 de agosto de 2004, edição 702; Universidade de Amsterdã


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Neurogrid: conheça o microchip que simula o cérebro humano

Além de ser veloz, chip utiliza menos energia no processo de inicialização



Eis mais um daqueles momentos para ficar impressionado com a tecnologia: um time de bioengenheiros da Universidade de Stanford conseguiu desenvolver um microchip que é capaz de simular o cérebro humano e que utiliza menos energia que a necessária para fazer um iPad funcionar no processo de inicialização. 
De acordo com as informações divulgadas, ele é capaz de simular centenas (e até milhares) de neurônios se comparado a outros microchips que tentaram o mesmo feito no passado. Essa busca, aliás, não é à toa: o córtex de um rato, por exemplo, também pode operar 9 mil vezes mais rápido que um PC, sendo que este utiliza 40 mil vezes mais energia. 

No caso do Neurogrid, ele usa 16 “Neurocore” personalizados para simular o poder de um milhão de neurônios. Entretanto, com grandes poderes vêm grandes gastos: para produzir o protótipo, foi necessário o investimento de US$ 40 mil. Entretanto, seu uso seria algo bem visto, já que a ideia seria usá-lo para controlar próteses de pessoas com paralisia

Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/tecnologia/54056-neurogrid-conheca-o-microchip-que-simula-o-cerebro-humano.htm#ixzz30NUpFTih


Fonte: TecMundo

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Nasa descobre planeta parecido com a Terra em zona habitável



Desde que a humanidade começou a explorar o espaço, a grande questão sempre foi: “existe algum planeta como a Terra, capaz de abrigar a vida humana?”. Um novo relatório da Nasa indica que talvez esta pergunta tenha sido respondida. A agência espacial encontrou o planeta mais parecido com o nosso, até o momento, com condições de existência de vida muito semelhantes.
Nomeado Kepler 186f, o planeta está na distância ideal de seu sol, possibilitando a existência de água líquida, o que permitiria o desenvolvimento de vida.
Outros planetas parecidos com a Terra já haviam sido encontrados, mas eles eram ou muito quentes, pela proximidade do sol, ou muito grandes, o que colabora para aumentar a gravidade e dificultar a existência de vida. O novo planeta é apenas 10% maior.
O Kepler 186f tem uma órbita bem menor que a da Terra, de apenas 130 dias, indicando que ele está bem mais perto do sol. No entanto, a estrela que ele orbita é significantemente menor do que o nosso sol. No fim das contas, os cálculos indicam que as condições são semelhantes às terráqueas.
Há alguns problemas, no entanto. Ele está bem no limite da zona habitável e a Nasa diz que ele recebe de sua estrela apenas um terço da energia que a Terra recebe do sol. Assim, bem ao “meio-dia”, seu brilho é quase o mesmo visto por aqui uma hora antes do pôr do sol. A composição e massa do planeta seguem desconhecidos, e não há evidências de uma atmosfera que seja capaz de abrigar vida.
Mesmo com todos estes pontos contra, ele ainda assim é o que mais próximo da Terra já foi encontrado no espaço. Mas, mesmo se ele tivesse todas as condições de abrigar a vida humana, ele dificilmente verá algum terráqueo ou qualquer sonda por um bom tempo. Ele fica a 500 anos-luz da terra, ou aproximadamente 4,7 quatrilhões de quilômetros. A sonda New Horizons, considerada a mais rápida a deixar o planeta terra, saiu com velocidade de 59 mil km/h. Se ela tivesse sido lançada na direção de Kepler 186f e mantivesse esta velocidade, ela só chegaria dentro de 9 milhões de anos.

Momento histórico: encontramos outra Terra no Universo

Desde a descoberta do primeiro planeta a orbitar uma estrela similar ao Sol, em 1995, a humanidade estava à espera deste anúncio. Finalmente ele chegou, com toda pompa e circunstância, num artigo publicado no periódico científico “Science”: encontramos um planeta praticamente idêntico à Terra orbitando outra estrela numa região que o torna capaz de abrigar água líquida — e vida — em sua superfície.
Concepção artística do planeta Kepler-186f: mesmo tamanho da Terra e capaz de abrigar água em estado líquido
Concepção artística do planeta Kepler-186f: mesmo tamanho da Terra e capaz de abrigar água
O anúncio foi feito na tarde de hoje numa entrevista coletiva conduzida pela Nasa (uma reportagem mais completa sobre o achado, produzida por este escriba, estará amanhã nas páginas da Folha). O planeta orbita uma estrela chamada Kepler-186 e tem, segundo as estimativas, praticamente o mesmo diâmetro da Terra — 1,1 vez o do nosso mundo. Até onde se sabe, ele é o quinto a contar de seu sol e leva 129,9 dias terrestres para completar uma volta em torno de sua estrela. Ou seja, um ano lá dura mais ou menos um terço do que dura o nosso.
A estrela-mãe desse planeta é uma anã vermelha com cerca de metade do diâmetro do nosso Sol, localizada a cerca de 490 anos-luz daqui. Um dos aspectos interessantes dessa descoberta em particular é que, além de estar na chamada zona habitável — região do sistema em que o planeta recebe a quantidade certa de radiação de sua estrela para manter uma temperatura adequada à existência de água líquida na superfície –, o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional. Caso fosse esse o caso, o Kepler-186f, como foi batizado, teria sempre a mesma face voltada para a estrela, como acontece, por exemplo, com a Lua, que sempre mostra o mesmo lado para a Terra. Embora modelos mostrem que a trava gravitacional não é um impeditivo definitivo para ambientes habitáveis (atmosfera trataria de distribuir o calor), é sempre melhor ter um planeta com dias e noites, em vez de um em que um hemisfério é sempre aquecido pelo Sol e outro passa o tempo todo na fria escuridão.
Numa nota pessoal, lembro-me de ter já conversado antes com Elisa Quintana, pesquisadora da Nasa que é a primeira autora da descoberta. Em 2002, ela produziu uma série de simulações que mostravam que o sistema Alfa Centauri — o trio de estrelas mais próximos de nós, sem contar o Sol — podia abrigar planetas de tipo terrestre na zona habitável. Imagino a realização pessoal dela de, depois de “conceber” por tantos anos mundos como esse em computador, finalmente poder reportar uma descoberta dessa magnitude. Não de uma simulação, mas da fria realidade da observação!
Trata-se de um momento histórico. A partir de agora, os astrônomos devem se concentrar cada vez mais na busca de outros mundos similares à Terra e a Kepler-186f, gerando alvos para futuras observações de caraterização — a efetiva análise da composição desses mundos e suas atmosferas –, em busca, quem sabe, de evidências de uma outra biosfera.



Fonte: http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2014/04/17/momento-historico-encontramos-outra-terra-no-universo/

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Estranha luz em Marte já tem explicação, dizem cientistas da NASA


Os cientistas estão jogando água fria em um suposto avistamento de OVNI em Marte, que foi registrado pela sonda Curiosity da NASA.
         As imagens feitas nos dias 2 e 3 de abril já atraíram a atenção de todo o mundo. Apesar de entusiastas de OVNIs estarem discordando, os membros da equipe da missão dizem que existe uma explicação perfeitamente plausível para o flash de luz de Marte.
         foto da estranha luz em Marte foi divulgada nessa semana pela NASA. Um registro feito pela sonda Curiosity mostrou uma estranha luz na superfície do planeta, o que foi suficiente para gerar debates sobre qual seria a origem da misteriosa luz.
          "Uma possibilidade é que essa luz seja o brilho de uma superfície rochosa refletindo o Sol. Quando essas imagens foram tiradas, o Sol estava na mesma direção que o ponto brilhante, a oeste - noroeste da sonda, e relativamente baixo na céu", disse Justin Maki, lider e engenheiro de câmeras da sonda Curiosity.


"A equipe da missão também está abrindo a possibilidade de que o ponto brilhante pode ser luz solar que interferiu na câmera, diretamente através de um orifício na caixa principal da câmera, o que já aconteceu anteriormente em outras câmeras de outras sondas que exploraram o Planeta Vermelho", acrescentou Justin Maki, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia. "Acreditamos que seja um vazamento de luz no orifício de ventilação da câmera ou então uma pedra que refletiu a luz solar".

Foto da sonda Curiosity da NASA mostra misteriosa luz
na superfície de Marte. Créditos: NASA / JPL-Caltech

         "Nas milhares de imagens que recebemos da sonda Curiosity, vemos esses pontos brilhantesquase todas as semanas", diz Justin Maki.


Vida inteligente em Marte?

         Ufólogos já estão divulgando as imagens da luz em Marte como uma possível evidência não só de vida marciana, mas também de uma civilização avançada em Marte.

         "Uma fonte de luz artificial foi vista esta semana nesta foto da NASA, que mostra a luz que brilha para cima a partir do chão ... ", escreveu Scott Waring no site UFO Sightings Daily na última segunda-feira (7 de abril). "Isso pode indicar que há vida inteligente abaixo do solo e que essa vida utiliza a luz elétrica como nós. [sic] "

Suposto rato na superfície marciana é um exemplo de pareidolia.
Créditos: NASA
         luz em Marte não é a primeira foto do Planeta Vermelho a causar agitação entre os sites de OVNIs eUFOs. Em dezembro passado, por exemplo, em uma foto panorâmica do Planeta Vermelho havia algo que se parecia muito com um "rato", que estaria entre duas rochas.

Imagem feita pela sonda Viking 1 em 1976  mostra um
suposto rosto na superfície de Marte, outro exemplo
de pareidolia. Créditos: NASA
         suposto roedor marciano é um exemplo de um fenômeno psicológico chamado pareidolia, que se refere à tendências do cérebro humano de perceber formas familiares em imagens vagas ou aleatórias, dizem os especialistas. Outro exemplo de pareidolia é o famoso rosto em Marte, supostamente visível em fotos tiradas pela sonda Viking 1 da NASA em 1976.

         luz em Marte é algo diferente, já que não é um produto da nossa imaginação. Mas as chances são muito pequenas de que a luz seja um sinal de vida marciana, dizem os pesquisadores, especialmente porque o flash não é visível em outras imagens do mesmo local, que inclusive foram feitas quase que simultaneamente em 2 de abril e 3 de Abril pela câmera de navegação do robô Curiosity.

         É claro que tudo isso não quer dizer que a vida nunca existiu em Marte. A sonda robô Curiosity já encontrou evidências de um antigo sistema de fluxo de água líquida e um lago, o que sugere que o Planeta Vermelho poderia ter sustentado a vida microbiana a bilhões de anos atrás.

Fonte: Space
Imagens: NASA


Fonte: http://www.galeriadometeorito.com/2014/04/estranha-luz-em-marte-ja-tem-explicacao.html

quarta-feira, 12 de março de 2014

Vai começar a segunda viagem do Cosmos

A série de televisão que transformou a divulgação de ciência em 1980, com a mão inconfundível de Carl Sagan, vai para o ar nesta segunda-feira numa versão actualizada. É o famoso astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson que marca este novo projecto: “É tempo de arrancar de novo.”


Fonte da Imagens : http://mentes-inquietas.com/wp-content/uploads/2014/01/sagan_tyson.png

O som do dedilhar da guitarra do cantor de blues norte-americano Blind Willie Johnson une da forma mais subtil o primeiro episódio da nova série do Cosmos com a série original de 1980, criada por Carl Sagan. Dark was the night, cold was the ground começa a ouvir-se, quando a nave que Neil deGrasse Tyson usa para viajar no tempo e no espaço se aproxima da sonda Voyager 1, nos limites do sistema solar.
“A Voyager 1 transporta uma mensagem para daqui a mil milhões de anos sobre quem nós éramos, como sentíamos, que música é que fazíamos”, diz o astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson no episódio de estreia de Cosmos: Odisseia no Espaço, que passa nesta segunda-feira em Portugal, às 23h, no canal National Geographic e em todos os canais da Fox.
A Voyager 1 foi lançada em Setembro de 1977, poucas semanas depois da Voyager 2 ter também ido para o espaço. A missão destas duas sondas era analisar os planetas mais distantes que giram em torno do Sol e, depois, continuar a travessia para lá do sistema solar, embrenhando-se pelo Universo adentro.
As duas máquinas, que continuam vivas e a comunicar com a Terra, transportam cada uma delas um disco de ouro no qual foram gravados sons e imagens da Terra. Um comité da NASA liderado por Carl Sagan escolheu, na altura, quais os testemunhos que deveriam estar nos discos, antecipando a hipótese remota de um destes aparelhos ser interceptado por extraterrestres. A cobertura do disco tem as instruções visuais para ser lido.
Entre saudações em línguas vivas e mortas, fotografias de mulheres a amamentar ou a trabalhar ao microscópio, vocalizações de baleias, estão os acordes da guitarra de Blind Willie Johnson, que agora, no novo episódio, se unem em perfeição com o firmamento. “Ninguém envia uma mensagem numa viagem destas sem uma acesa paixão pelo futuro”, constatava Carl Sagan em 1980, quando falava sobre as Voyager num dos 13 episódios da série original Cosmos: Uma Viagem Pessoal.
Para o astrónomo nascido em Brooklin, Nova Iorque, que morreu em 1996, com 62 anos – e que ao longo da vida se tornou um dos mais famosos divulgadores de ciência do mundo –, os discos de ouro das Voyager eram objectos de “esperança”, criados por uma espécie com um “desejo profundo de contactar com o cosmos”. Esse apelo atravessava a série de 1980, quer Sagan estivesse a falar de um astrónomo da antiguidade, do Big Bang, da origem da vida ou dos limites do Universo.
Trinta e quatro anos depois, a nave de Neil deGrasse Tyson afasta-se da Voyager 1 em direcção ao resto da Via Láctea com a guitarra de Blind Willie Johnson em fade out e o apelo mantém-se, como se a série nunca se tivesse ido embora.
Com Carl Sagan ficámos a saber que o cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá. Nos 13 episódios da nova série, mais do que revelar as últimas fronteiras do Universo que as descobertas científicas das últimas décadas puseram a nu, Neil deGrasse Tyson pretende mostrar-nos qual é a importância de conhecermos o cosmos.
“Sim, há a matéria escura, há a energia escura. Temos oito planetas [no sistema solar] em vez de nove. Há muita ciência que é nova, mas o objectivo não é mostrar aqui o que é novo na ciência. O objectivo é mostrar porque é que esta nova compreensão dos cosmos continua a afectar-nos profundamente como indivíduo, como nação, como espécie”, explica o astrofísico numa entrevista dada à Fox.
A série original teve um sucesso retumbante. Criada e escrita por Carl Sagan, juntamente com Ann Druyan, que em 1981 se casaria com Sagan, e com Steven Soter, outro astrofísico, foi vista por 750 milhões de pessoas em 175 países e ganhou três Prémios Emmy e um Peabody. Depois, Carl Sagan escreveu o livro Cosmos. Carlos Fiolhais, físico e divulgador de ciência, dizia ao PÚBLICO em Agosto que Sagan, com o seu poder de persuasão, passa a sua inteligência para o espectador ou para o leitor. “Sentimo-nos inteligentes ao ler o Cosmos”, explica, referindo ainda que a antiga série, que está disponível no YouTube, continua apelativa.
Os novos 13 episódios, com novas histórias, surgiram por vontade de Ann Druyan, autora e produtora executiva da série, que se juntou, de novo, a Steven Soter. Na convenção da Comic-Con internacional em Julho de 2013, em San Diego, Estados Unidos, onde o painel de criadores do novo Cosmos foi uma das atracções, Ann Druyan explicava sentir nas últimas décadas um retrocesso em direcção ao medo e à superstição. Um retrocesso que não existia na década de 1960, quando o homem foi à Lua. Voltar ao Cosmos, dizia ela, fazia parte de um novo ciclo de abertura em relação à ciência.
“O conhecimento é um direito de todos”, argumentou a autora de 64 anos numa entrevista recente à revista Wired. “Carl Sagan veio de uma família da classe trabalhadora em Brooklin, eu vim de Queens, Neil [deGrasse Tyson] veio do Bronx – acreditamos de facto que a ciência pertence a todos nós, (…) se pertencer apenas a um minúsculo culto, então as nossas aspirações de um dia nos tornarmos uma sociedade democrática estão condenadas.”
Neil deGrasse Tyson – que é director do Planetário Hayden do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque, publicou vários livros de divulgação de ciência (inclusivamente em Portugal) e aparece em vários programas de televisão – vai mais longe. “Estou preocupado com os adultos com iliteracia científica. São eles que governam o mundo, que têm recursos, que são as chefias e são em maior número do que as crianças”, respondia o astrofísico de 55 anos, na última terça-feira, a um apresentador da Fox que lhe perguntou se o novo Cosmos ajudaria a inspirar as crianças.
Ann Druyan começou a pensar no projecto há cerca de sete anos e acabou por encontrar em Neil deGrasse Tyson o sucessor perfeito de Carl Sagan. A série original tinha sido difundida na PBS, um canal público de televisão dos Estados Unidos. A passagem para a Fox foi sugerida por Seth MacFarlane, criador das séries animadas de humor da Fox para adultos Family Guy, American Dad! e The Cleveland Show. MacFarlane, um assumido fã do Cosmos, foi apresentado por Tyson a Druysan há quatro anos e tornou-se director-executivo da nova série.
A Fox fez uma enorme campanha para que a série chegasse ao máximo de espectadores. No domingo, dia 9 de Março, passou o primeiro episódio nos Estados Unidos, hoje o Cosmos chega a dezenas de canais National Geographic e Fox em 180 países. Só o primeiro episódio é que vai passar em todos os canais, os restantes terão de ser vistos na National Geographic, um canal pago que, em Agosto de 2013, chegava a 84,446 milhões de lares norte-americanos, cobrindo 73,95% das casas com televisão.
Em Portugal, a série original passou na RTP no início dos anos de 1980, agora só quem tiver televisão paga é que poderá assistir às histórias narradas por Neil deGrasse Tyson. Segundo a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), a televisão paga chegava, no final de 2013, a 53,7% de alojamentos residenciais. Além disso, os espectadores habituais dos canais pagos são, globalmente, cerca de 30% e distribuem-se pela multiplicidade de oferta de canais dos serviços de televisão pagos.
Por isso, o impacto do novo Cosmos será muito diferente, refere o investigador Francisco Rui Cádima, professor de ciências da comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que investiga questões relacionadas com a televisão. “Passando para um canal pago, há um retrocesso em relação ao público da década de 1980”, diz o investigador.
Para Francisco Rui Cádima, se na RTP da altura, quando só havia dois canais de televisão, a série poderia ser “apanhada” por faixas da população que não são normalmente consumidoras de programas sobre divulgação científica, nos canais privados são as pessoas que se interessam por este nicho que irão estar atentas. O especialista defende que a RTP deveria comprar os direitos do Cosmos: “Teria mais sentido gastar dinheiro no programa do que em jogos de futebol [da Primeira Liga], que depois acabam por não ter as características de serviço público.”
Mas quem tiver a oportunidade de ver hoje o primeiro episódio do Cosmos terá um banquete de efeitos especiais e de imagens de astronomia do século XXI servido para acompanhar a narrativa contada pela voz quente de Neil deGrasse Tyson. A nave onde o astrofísico viaja é usada para fazer saltos no espaço e no tempo. É possível visitar Vénus ou Júpiter e mergulhar em paisagens que tentam aproximar-se do que, de facto, se passa naqueles planetas.
Graças à nave, Tyson conta também a vida de personagens da história da ciência, como a de Giordano Bruno, um frade dominicano que nasceu em Nápoles em 1548 e acabou morto na fogueira da Inquisição pelas suas opiniões sobre o Universo.
“Contamos histórias sobre cientistas de diferentes culturas e diferentes eras cujo trabalho realizado foi atacado pela sociedade ou pelo governo que controlava as suas vidas, ou por normas sociais que interferiam com a procura da verdade”, explicou o astrofísico, desta vez ao site noticioso Huffington Post. “Alguns [destes cientistas] sacrificaram a vida por terem encontrado a verdade e aprendemos que naquelas sociedades existiram mártires da ciência. São pessoas que davam mais importância à verdade do que à relação que tinham com a sua pátria.” Estas partes históricas, ao contrário do Cosmos original, estão contadas em animações que permitiram à equipa produzir momentos oníricos sem prejudicar a credibilidade das cenas.
O primeiro episódio também é marcado pelo calendário cósmico que Carl Sagan usou, primeiro, no seu livro Os Dragões do Éden e depois transpôs para a série original. Este calendário divide em 12 meses o tempo desde o Big Bang, ocorrido há 13.800 milhões de anos, e hoje. Na nova versão do calendário, visualmente espectacular, Tyson conta-nos resumidamente a história da Terra, com o aparecimento dos humanos na última hora do último dia do ano.
“Toda a história documentada ocupa apenas os últimos 14 segundos”, anuncia o astrofísico que vai caminhando pelo calendário, e resume estes segundos com os nascimentos de profetas de várias religiões e o aparecimento da ciência moderna, que em apenas quatro séculos levou o homem à Lua e permitiu compreender, como nenhuma outra forma de conhecimento o fez antes, as origens e as fronteiras do Universo.
“Os sábios da biblioteca [de Alexandria] estudaram o cosmos inteiro”, explicava Carl Sagan, no primeiro capítulo da saga, onde falava da mais famosa biblioteca da antiguidade, que terá reunido centenas de milhares de documentos escritos e foi destruída. “Cosmos é uma palavra de origem grega que significa ‘ordem universal’. É, num certo sentido, o oposto de caos. Implica uma profunda ligação de todas as coisas”, contava Sagan. Agora, é a vez de Tyson nos mostrar esta ordem, de novo.


Fonte:http://www.publico.pt/ciencia/noticia/vai-comecar-a-segunda-viagem-do-cosmos-1627502#/0

sábado, 24 de setembro de 2011

Neutrino ‘mais veloz que a luz’ põe físicos em suspense

Entre a cautela e a apreensão, comunidade científica aguarda seminário nesta sexta que discutirá medições de partículas viajando a uma velocidade acima da luz. Caso sejam confirmadas, a física pode mudar para sempre
Jones Rossi e Marco Túlio Pires
cern opera

O detector de partículas Opera, do CERN: ali foi descoberto neutrino que ultrapassou a velocidade da luz (Divulgação)

"Se for provado que o neutrino viaja acima da velocidade da luz, os teóricos terão que quebrar a cabeça para pacificar essa observação com tudo que já construímos e verificamos estar correto."

A revelação feita por cientistas do CERN de queflagraram partículas viajando acima da velocidade da luz — algo até agora considerado impossível — pôs a comunidade científica em suspense. Entre a cautela e o assombro, muitos físicos apostam em um possível erro do laboratório europeu. Mas, dada a respeitabilidade do centro científico que criou o acelerador de partículas LHC, todos aguardam o seminário que será realizado nesta sexta-feira para discutir as medições e, mais ainda, futuras tentativas de reproduzir o mesmo experimento. A cautela é compreensível: caso a descoberta se confirme, a física como a conhecemos poderá mudar para sempre.

Em entrevista ao site de VEJA, o físico brasileiro Ernesto Kemp disse ser bem possível que esteja errada a velocidade dos neutrinos medida no trajeto de 732 quilômetros entre o CERN, em Genebra, na Suíça, e o detector de partículas OPERA, em Gran Sasso, na Itália. Contudo, o cientista está apreensivo porque conhece o trabalho do OPERA. Kemp trabalha no laboratório ao lado: é colaborador do Large Volume Detector (LVD), um experimento que também mede neutrinos, mas vindos do espaço e não do CERN. "Conheço o trabalho dos pesquisadores do OPERA e eles não teriam publicado um dado assim se não tivessem certeza das medições que fizeram."


Incerteza -
Em entrevista à revista Science, Chang Kee Jung, porta-voz de outro experimento que faz a detecção de neutrinos, chamado T2K, explica que a parte complicada neste tipo de estudo é medir com precisão o tempo entre a criação da partícula e o momento em que ela atinge o detector. A medição depende do Sistema Global de Posicionamento, ou GPS, e a margem de erro pode chegar a dezenas de nanossegundos, diz ele, e não apenas 10, como o grupo do CERN afirma ter conseguido.De acordo com Kemp, apesar de o LVD não ter recebido o mesmo ajuste fino que o OPERA para analisar o feixe de neutrinos, seu experimento nunca detectou tamanha discrepância. "Pelo contrário, sempre percebemos que os neutrinos viajavam dentro da velocidade da luz, em concordância com a Teoria da Relatividade", disse.

Em 2007, Philippe Gouffon, professor do Departamento de Física Experimental do Instituto de Física da USP, também observou neutrinos acima da velocidade da luz em uma pesquisa feita na universidade, publicada noPhysical Review D, periódico da Sociedade Americana de Física. Ele afirma, contudo, que o resultado foi descartado por estar dentro do intervalo de incerteza, comum nesse tipo de experimento. "Vamos rever nossos experimentos", disse ao site de VEJA.

Erro sistemático - De acordo com Gouffon, o experimento do CERN ainda precisa ser confrontado: há uma série de erros possíveis. Assim como apontou Chang Kee Jung naScience, Gouffon também citou a possibilidade de um erro de sincronização no GPS. "E há outro problema: os próprios aparelhos de GPS são feitos baseados na Teoria da Relatividade", diz. "É como tentar medir um erro no instrumento usando o próprio instrumento."

Desvios metodológicos deste tipo acabam influindo em todo o experimento. É o que os cientistas chamam de "erro sistemático", o que explicaria por que 16.000 medições feitas pelos cientistas do CERN podem estar todas erradas. De qualquer forma, adverte Gouffon, é preciso esperar pelo seminário que ocorrerá nesta sexta-feira para confirmar os resultados. "Será chocante se isso estiver correto."

Revoluções - Kemp explica que se os resultados estiverem corretos, a revolução será profunda, mas não irá invalidar as descobertas já feitas a partir da Teoria da Relatividade, pilar da física moderna, em que Albert Einstein postulou que a velocidade da luz não depende de referencial e nada pode ultrapassá-la.

"Einstein não invalidou o mundo todo construído a partir da mecânica clássica", disse Kemp. "Quando propôs a Teoria da Relatividade, ele estava tentando pacificar várias observações físicas que não eram compatíveis teoricamente. Agora, se for provado que o neutrino viaja acima da velocidade da luz, os teóricos terão que quebrar a cabeça para juntar essa observação a tudo que já construímos em uma teoria única." O pesquisador lembra que tudo na ciência é feito com muita cautela e em passos de formiga. Daí a necessidade de replicar diversas vezes o experimento.

Ficção científica - Se confirmada, a descoberta pode dar margem a desdobramentos que hoje só a ficção científica pode vislumbrar. "Quando você postula a existência de partículas que são mais rápidas que a luz, elas teriam acesso a regiões do espaço-tempo antes proibitivas. Aí é domínio da especulação e ficção científica: seria possível voltar no tempo, alimentando equações da mecânica quântica com partículas mais rápidas que a luz com acesso a regiões do espaço-tempo no passado", diz Kemp. "Uma coisa é certa: se for verdade, é uma espécie de revolução. Muita coisa terá que ser revista e tudo isso é muito empolgante."



fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/descoberta-do-cern-e-recebida-com-cautela-e-entusiasmo-ao-mesmo-tempo


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Físicos conseguem capturar antimatéria por 16 minutos

Cientistas fizeram um grande progresso na busca incessante pela antimatéria, um tipo de matéria rara no universo: eles conseguiram “prendê-la” por mais de 16 minutos em laboratório, tempo considerado uma eternidade na física de partículas.

A antimatéria é como uma imagem espelhada da matéria. Para cada partícula de matéria (um átomo de hidrogênio, por exemplo), existe uma partícula de antimatéria correspondente (nesse caso, um átomo anti-hidrogênio) com a mesma massa, mas com carga oposta.

Na verdade, os cientistas disseram que aprisionar átomos de anti-hidrogênio, ou seja, isolar as tais partículas exóticas, se tornou tão rotineiro que eles esperam em breve começar experiências com a substância rara.

“Pegar” a antimatéria é difícil, porque quando ela entra em contato com a matéria, as duas se aniquilam. Assim, um recipiente de antimatéria não pode ser feito de matéria normal, mas geralmente é formado por campos magnéticos.

No novo estudo, os pesquisadores capturaram anti-hidrogênio através da mistura de antiprótons com pósitrons (antielétrons) em uma câmara de vácuo, onde se combinaram em átomos anti-hidrogênio.

Todo o processo ocorreu dentro de uma “garrafa” magnética que tira proveito das propriedades magnéticas dos antiátomos para mantê-los estáveis. Uma garrafa normal, feita de matéria comum, não seria capaz de segurar a antimatéria, porque quando os dois tipos de matéria se encontram, elas se aniquilam.

Depois que os pesquisadores “prenderam” a antimatéria na garrafa magnética, puderam detectar os antiátomos presos através do desligamento do campo magnético, permitindo que as partículas se aniquilassem com a matéria normal, o que cria um flash de luz.

A equipe já conseguiu captar 112 antiátomos nessa nova armadilha, em tempos que variam de um quinto de segundo a mil segundos, ou 16 minutos e 40 segundos. Até hoje, desde o início do projeto, os cientistas capturaram 309 átomos anti-hidrogênio em várias armadilhas.

A esperança dos pesquisadores é que, até 2012, eles tenham uma nova armadilha com acesso a laser para permitir experimentos de espectroscopia nos antiátomos, fornecendo mais informações sobre as propriedades da antimatéria.

Dessa forma, eles estariam mais perto de responder uma questão que tem afligido os físicos: por que há apenas matéria comum em nosso universo?

Os cientistas acreditam que a matéria e a antimatéria foram produzidas em quantidades iguais durante o Big Bang que criou o universo, há 13,6 bilhões anos. No entanto, hoje não há nenhuma evidência de galáxias ou nuvens de antimatéria, e ela é vista raramente e por períodos curtos, por exemplo, durante alguns tipos de decaimento radioativo antes de se aniquilar em uma colisão com matéria normal.[LiveScience]

fonte:

http://hypescience.com/fisicos-conseguem-capturar-antimateria-por-16-minutos/


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cientistas elaboram mapa da gravidade da Terra

Cientistas elaboram mapa da gravidade da Terra


Veja como é a superfície da Terra considerando a gravidade sem a ação de marés e de correntes oceânicas:


O satélite Goce foi lançado em março de 2009 e já recolheu mais de 12 meses de dados sobre a gravidade. De acordo com a Esa, essas informações são essenciais para medir a movimentação dos oceanos, a mudança do nível do mar e a dinâmica do gelo – e para entender como são afetados pelas mudanças climáticas.

A Esa também explica que os dados podem ajudar a entender mais profundamente os processos que causam terremotos, como o evento que assolou o Japão no dia 11 de março. Isso porque os terremotos criam “rastros” na gravidade, o que poderia ser usado para entender o processo que conduz catástrofes naturais e, assim, prevê-los.

A ideia dos pesquisadores da Esa é continuar medindo a gravidade até o final de 2012. O satélite Goce, responsável pelos dados, pesa uma tonelada e orbita a baixa altitude. Ele usa um equipamente específico para medir a gravidade.