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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Project Christine: como os PCs podem sofrer uma nova revolução [ilustração]

Razer pretende facilitar a personalização dos computadores, garantindo que todos possam trocar componentes de hardware sem medo


Desde os primórdios da informática, vimos o público interessado em PCs dividido em dois grupos: os usuários, que normalmente querem apenas aproveitar o computador, e os técnicos, pessoas que gostam de fuçar e revirar a máquina de todas as formas possíveis.
Antigamente, o pessoal que gostava mesmo de mexer com hardware podia pintar e bordar, fazendo a troca de quase todos os componentes, inclusive substituindo resistores, transistores e outros chips de fácil reposição.
Com o passar dos anos, as peças de computador evoluíram muito, o que inviabilizou a manutenção em um nível tão avançado. Hoje, os usuários mais técnicos podem montar seus computadores e realizar a substituição de diversos componentes, o que inclui placa de vídeo, disco rígido, memória RAM, fonte de alimentação e outros tantos.
Todavia, a limitação do conhecimento é uma barreira para muitas pessoas que têm medo de realizar a troca de algum componente e acabar estragando com toda a máquina. Nós, aqui no Tecmundo, temos como objetivo facilitar o acesso ao conhecimento e simplificar a informática, mas você que nos acompanha sabe que mexer com hardware não é tão simples.


Pensando em contornar essas complicações, a Razer resolveu inovar novamente. Hoje, vamos falar sobre o Project Christine, que visa simplificar o processo de manuseio do hardware e garantir que mais consumidores possam personalizar suas máquinas. Abaixo, vamos falar um pouco sobre a tecnologia do projeto e as chances que ele tem para dar certo.

Surge um novo conceito

Apresentado durante a CES 2014 como “uma verdadeira revolução”, o Project Christine é um tipo de computador modular que a  Razer julga ser o modelo ideal para os consumidores que desejam montar uma máquina de alto desempenho que possa ser atualizada sem complicações.
A ideia é bem simples. Na hora de montar seu computador, você pode escolher qualquer placa de vídeo, processador, memória RAM, fonte de energia, dispositivo de armazenamento e outros componentes. Ele vem todo desmontado, mas você só precisa pegar os módulos e encaixar na base para começar a usar.
Project Christine: como os PCs podem sofrer uma nova revolução [ilustração] (Fonte da imagem: Divulgação/Razer)
Os módulos são pequenos compartimentos e quase todos são idênticos por fora. Dentro deles está o hardware propriamente dito, ou seja, aquele monte de pequenas peças que você visualiza ao abrir o seu gabinete. A diferença é que a Razer não julga que seja importante você ter acesso aos transistores, capacitores e outros elementos que combinados formam determinado dispositivo.
Na parte traseira dos módulos, há uma conexão que garante a comunicação entre a placa-mãe e os itens de hardware. Todavia, diferente do que acontece nos atuais computadores, no Project Christine não há um tipo de conexão para cada componente.
Aqui, todos usam os mesmos pinos. Isso quer dizer que não importa onde você vai encaixar determinada peça, pois ela vai funcionar sem que seja preciso usar determinado macete ou tomar algum cuidado específico. Não importa a ordem dos produtos, pois o sistema inteligente do Project Christine (que funciona com base no padrão PCI-Express) vai se encarregar de identificar cada peça e fazê-la funcionar adequadamente.
Project Christine: como os PCs podem sofrer uma nova revolução [ilustração] (Fonte da imagem: Divulgação/Razer)
Além de tornar o processo de instalação simples, a Razer busca facilitar a atualização do computador. Quer trocar sua placa de vídeo e não sabe se ela será compatível? Com o Project Christine, esse tipo de dúvida não existe, pois todos os componentes são compatíveis, não sendo necessário se preocupar com os slots e limitações da placa-mãe.
Agora, você pode estar pensando sobre o problema da refrigeração — afinal, placas de vídeo e processadores costumam esquentar muito e, em um compartimento tão pequeno, eles podem facilmente ter problemas de funcionamento. Para contornar essa adversidade, a Razer pretende refrigerar as peças com óleo mineral.
Na traseira dos módulos, há conexões que dão acesso ao sistema de refrigeração, garantindo que todo componente trabalhe na temperatura adequada para a qual foi projetado. O melhor de tudo é que você não tem que se preocupar com nada, pois, ao encaixar o dispositivo no esqueleto da máquina, o novo produto já estará refrigerado e pronto para uso.
Dessa forma, fica fácil instalar duas placas de vídeo, adicionar mais memória RAM, trocar o processador, adicionar um SSD ou realizar outras atualizações. A Razer diz que pretende fazer parceria com vários fabricantes de hardware, dando o máximo de opções para o consumidor, por isso podemos esperar ver uma boa quantidade de marcas no projeto.
Project Christine: como os PCs podem sofrer uma nova revolução [ilustração] (Fonte da imagem: Divulgação/Razer)
Parece ótimo, não? Todavia, é claro que tem uma pequena questão que não deixa a ideia tão boa. Segundo a informação da Polygon, a Razer pretende lançar a ideia com um esquema de assinatura. O consumidor que quiser uma máquina modular desse tipo terá que pagar uma pequena quantia mensal para ter seu PC sempre atualizado.

Será que vai dar certo?

Não há como negar que o Project Christine tem boa intenção e boas ideias que podem dar certo. Entretanto, a boa vontade da Razer – que é uma companhia bem pequena se comparada a outras gigantes do setor – não significa nada sem o apoio de outras empresas que fabricam os componentes de hardware e que podem fazer o projeto sair do papel.
De acordo com a Polygon, os fabricantes não estão realmente interessados na ideia, principalmente porque ninguém quer apostar em algo que talvez não dê certo. Para grandes companhias, tomar um passo arriscado desses pode significar grandes prejuízos e geralmente o risco não vale a pena.
Project Christine: como os PCs podem sofrer uma nova revolução [ilustração] (Fonte da imagem: Tecmundo/Baixaki)
A inovação pode ser interessante para alavancar os negócios de uma empresa, principalmente no caso da Razer, que não é muito grande, mas ela também pode custar caro para uma companhia que já está bem no mercado e não precisa desse tipo de jogada para conquistar o consumidor.
O CEO da Razer,  Min-Liang Tan, relatou em entrevista que as fabricantes de hardware têm diversas preocupações que vão desde a previsão de entrega, passando pela quantidade de unidades que serão produzidas, até chegar à questão da margem de lucro. De fato, olhando pelo lado de uma grande corporação, esse tipo de preocupação é essencial.
É preciso considerar ainda que esse tipo de proposta vem para oferecer uma alternativa a um mercado já existente e funcional, o qual precisará ser readaptado. Isso implica mudanças tanto para as fabricantes (que terão de produzir diversos tipos de componentes com os mais variados padrões) quanto para os consumidores.
Assim, por ora, devido à falta de parceiros, o Project Christine não tem grandes chances de sair do papel. Vale salientar que, mesmo que haja uma boa quantidade de empresas apoiando, isso não quer dizer que teremos a mesma diversidade de componentes do mercado atual. Não é de se duvidar que um pequeno grupo de fabricantes mais famosas domine o projeto e impossibilite que outras entrem na jogada (algo que já acontece no mercado atual).
Project Christine: como os PCs podem sofrer uma nova revolução [ilustração] (Fonte da imagem: Tecmundo/Baixaki)
É importante colocar na conta a questão do preço que isso custará ao consumidor. A Razer não deu informações sobre valores, mas pode ter certeza de que componentes robustos, compactos e de fácil manuseio não serão baratos. Isso sem contar a história do pagamento mensal, que vai encarecer muito a ideia.


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Pode ser que um dia o Project Christine veja a luz do dia, mas não há como saber se ele não acabará se tornando um negócio viável apenas para os endinheirados – perdendo assim o foco de popularização e facilitação de uso. Para dar certo, a Razer terá que conseguir boas parcerias e bons preços, garantindo que os leigos realmente possam ter vantagem com essa inovação.

Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/razer/53413-project-christine-como-os-pc-podem-sofrer-uma-nova-revolucao-ilustracao-.htm#ixzz2yQsOqgjS



herói desconhecido

quarta-feira, 12 de março de 2014

Vai começar a segunda viagem do Cosmos

A série de televisão que transformou a divulgação de ciência em 1980, com a mão inconfundível de Carl Sagan, vai para o ar nesta segunda-feira numa versão actualizada. É o famoso astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson que marca este novo projecto: “É tempo de arrancar de novo.”


Fonte da Imagens : http://mentes-inquietas.com/wp-content/uploads/2014/01/sagan_tyson.png

O som do dedilhar da guitarra do cantor de blues norte-americano Blind Willie Johnson une da forma mais subtil o primeiro episódio da nova série do Cosmos com a série original de 1980, criada por Carl Sagan. Dark was the night, cold was the ground começa a ouvir-se, quando a nave que Neil deGrasse Tyson usa para viajar no tempo e no espaço se aproxima da sonda Voyager 1, nos limites do sistema solar.
“A Voyager 1 transporta uma mensagem para daqui a mil milhões de anos sobre quem nós éramos, como sentíamos, que música é que fazíamos”, diz o astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson no episódio de estreia de Cosmos: Odisseia no Espaço, que passa nesta segunda-feira em Portugal, às 23h, no canal National Geographic e em todos os canais da Fox.
A Voyager 1 foi lançada em Setembro de 1977, poucas semanas depois da Voyager 2 ter também ido para o espaço. A missão destas duas sondas era analisar os planetas mais distantes que giram em torno do Sol e, depois, continuar a travessia para lá do sistema solar, embrenhando-se pelo Universo adentro.
As duas máquinas, que continuam vivas e a comunicar com a Terra, transportam cada uma delas um disco de ouro no qual foram gravados sons e imagens da Terra. Um comité da NASA liderado por Carl Sagan escolheu, na altura, quais os testemunhos que deveriam estar nos discos, antecipando a hipótese remota de um destes aparelhos ser interceptado por extraterrestres. A cobertura do disco tem as instruções visuais para ser lido.
Entre saudações em línguas vivas e mortas, fotografias de mulheres a amamentar ou a trabalhar ao microscópio, vocalizações de baleias, estão os acordes da guitarra de Blind Willie Johnson, que agora, no novo episódio, se unem em perfeição com o firmamento. “Ninguém envia uma mensagem numa viagem destas sem uma acesa paixão pelo futuro”, constatava Carl Sagan em 1980, quando falava sobre as Voyager num dos 13 episódios da série original Cosmos: Uma Viagem Pessoal.
Para o astrónomo nascido em Brooklin, Nova Iorque, que morreu em 1996, com 62 anos – e que ao longo da vida se tornou um dos mais famosos divulgadores de ciência do mundo –, os discos de ouro das Voyager eram objectos de “esperança”, criados por uma espécie com um “desejo profundo de contactar com o cosmos”. Esse apelo atravessava a série de 1980, quer Sagan estivesse a falar de um astrónomo da antiguidade, do Big Bang, da origem da vida ou dos limites do Universo.
Trinta e quatro anos depois, a nave de Neil deGrasse Tyson afasta-se da Voyager 1 em direcção ao resto da Via Láctea com a guitarra de Blind Willie Johnson em fade out e o apelo mantém-se, como se a série nunca se tivesse ido embora.
Com Carl Sagan ficámos a saber que o cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá. Nos 13 episódios da nova série, mais do que revelar as últimas fronteiras do Universo que as descobertas científicas das últimas décadas puseram a nu, Neil deGrasse Tyson pretende mostrar-nos qual é a importância de conhecermos o cosmos.
“Sim, há a matéria escura, há a energia escura. Temos oito planetas [no sistema solar] em vez de nove. Há muita ciência que é nova, mas o objectivo não é mostrar aqui o que é novo na ciência. O objectivo é mostrar porque é que esta nova compreensão dos cosmos continua a afectar-nos profundamente como indivíduo, como nação, como espécie”, explica o astrofísico numa entrevista dada à Fox.
A série original teve um sucesso retumbante. Criada e escrita por Carl Sagan, juntamente com Ann Druyan, que em 1981 se casaria com Sagan, e com Steven Soter, outro astrofísico, foi vista por 750 milhões de pessoas em 175 países e ganhou três Prémios Emmy e um Peabody. Depois, Carl Sagan escreveu o livro Cosmos. Carlos Fiolhais, físico e divulgador de ciência, dizia ao PÚBLICO em Agosto que Sagan, com o seu poder de persuasão, passa a sua inteligência para o espectador ou para o leitor. “Sentimo-nos inteligentes ao ler o Cosmos”, explica, referindo ainda que a antiga série, que está disponível no YouTube, continua apelativa.
Os novos 13 episódios, com novas histórias, surgiram por vontade de Ann Druyan, autora e produtora executiva da série, que se juntou, de novo, a Steven Soter. Na convenção da Comic-Con internacional em Julho de 2013, em San Diego, Estados Unidos, onde o painel de criadores do novo Cosmos foi uma das atracções, Ann Druyan explicava sentir nas últimas décadas um retrocesso em direcção ao medo e à superstição. Um retrocesso que não existia na década de 1960, quando o homem foi à Lua. Voltar ao Cosmos, dizia ela, fazia parte de um novo ciclo de abertura em relação à ciência.
“O conhecimento é um direito de todos”, argumentou a autora de 64 anos numa entrevista recente à revista Wired. “Carl Sagan veio de uma família da classe trabalhadora em Brooklin, eu vim de Queens, Neil [deGrasse Tyson] veio do Bronx – acreditamos de facto que a ciência pertence a todos nós, (…) se pertencer apenas a um minúsculo culto, então as nossas aspirações de um dia nos tornarmos uma sociedade democrática estão condenadas.”
Neil deGrasse Tyson – que é director do Planetário Hayden do Museu Americano de História Natural de Nova Iorque, publicou vários livros de divulgação de ciência (inclusivamente em Portugal) e aparece em vários programas de televisão – vai mais longe. “Estou preocupado com os adultos com iliteracia científica. São eles que governam o mundo, que têm recursos, que são as chefias e são em maior número do que as crianças”, respondia o astrofísico de 55 anos, na última terça-feira, a um apresentador da Fox que lhe perguntou se o novo Cosmos ajudaria a inspirar as crianças.
Ann Druyan começou a pensar no projecto há cerca de sete anos e acabou por encontrar em Neil deGrasse Tyson o sucessor perfeito de Carl Sagan. A série original tinha sido difundida na PBS, um canal público de televisão dos Estados Unidos. A passagem para a Fox foi sugerida por Seth MacFarlane, criador das séries animadas de humor da Fox para adultos Family Guy, American Dad! e The Cleveland Show. MacFarlane, um assumido fã do Cosmos, foi apresentado por Tyson a Druysan há quatro anos e tornou-se director-executivo da nova série.
A Fox fez uma enorme campanha para que a série chegasse ao máximo de espectadores. No domingo, dia 9 de Março, passou o primeiro episódio nos Estados Unidos, hoje o Cosmos chega a dezenas de canais National Geographic e Fox em 180 países. Só o primeiro episódio é que vai passar em todos os canais, os restantes terão de ser vistos na National Geographic, um canal pago que, em Agosto de 2013, chegava a 84,446 milhões de lares norte-americanos, cobrindo 73,95% das casas com televisão.
Em Portugal, a série original passou na RTP no início dos anos de 1980, agora só quem tiver televisão paga é que poderá assistir às histórias narradas por Neil deGrasse Tyson. Segundo a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), a televisão paga chegava, no final de 2013, a 53,7% de alojamentos residenciais. Além disso, os espectadores habituais dos canais pagos são, globalmente, cerca de 30% e distribuem-se pela multiplicidade de oferta de canais dos serviços de televisão pagos.
Por isso, o impacto do novo Cosmos será muito diferente, refere o investigador Francisco Rui Cádima, professor de ciências da comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que investiga questões relacionadas com a televisão. “Passando para um canal pago, há um retrocesso em relação ao público da década de 1980”, diz o investigador.
Para Francisco Rui Cádima, se na RTP da altura, quando só havia dois canais de televisão, a série poderia ser “apanhada” por faixas da população que não são normalmente consumidoras de programas sobre divulgação científica, nos canais privados são as pessoas que se interessam por este nicho que irão estar atentas. O especialista defende que a RTP deveria comprar os direitos do Cosmos: “Teria mais sentido gastar dinheiro no programa do que em jogos de futebol [da Primeira Liga], que depois acabam por não ter as características de serviço público.”
Mas quem tiver a oportunidade de ver hoje o primeiro episódio do Cosmos terá um banquete de efeitos especiais e de imagens de astronomia do século XXI servido para acompanhar a narrativa contada pela voz quente de Neil deGrasse Tyson. A nave onde o astrofísico viaja é usada para fazer saltos no espaço e no tempo. É possível visitar Vénus ou Júpiter e mergulhar em paisagens que tentam aproximar-se do que, de facto, se passa naqueles planetas.
Graças à nave, Tyson conta também a vida de personagens da história da ciência, como a de Giordano Bruno, um frade dominicano que nasceu em Nápoles em 1548 e acabou morto na fogueira da Inquisição pelas suas opiniões sobre o Universo.
“Contamos histórias sobre cientistas de diferentes culturas e diferentes eras cujo trabalho realizado foi atacado pela sociedade ou pelo governo que controlava as suas vidas, ou por normas sociais que interferiam com a procura da verdade”, explicou o astrofísico, desta vez ao site noticioso Huffington Post. “Alguns [destes cientistas] sacrificaram a vida por terem encontrado a verdade e aprendemos que naquelas sociedades existiram mártires da ciência. São pessoas que davam mais importância à verdade do que à relação que tinham com a sua pátria.” Estas partes históricas, ao contrário do Cosmos original, estão contadas em animações que permitiram à equipa produzir momentos oníricos sem prejudicar a credibilidade das cenas.
O primeiro episódio também é marcado pelo calendário cósmico que Carl Sagan usou, primeiro, no seu livro Os Dragões do Éden e depois transpôs para a série original. Este calendário divide em 12 meses o tempo desde o Big Bang, ocorrido há 13.800 milhões de anos, e hoje. Na nova versão do calendário, visualmente espectacular, Tyson conta-nos resumidamente a história da Terra, com o aparecimento dos humanos na última hora do último dia do ano.
“Toda a história documentada ocupa apenas os últimos 14 segundos”, anuncia o astrofísico que vai caminhando pelo calendário, e resume estes segundos com os nascimentos de profetas de várias religiões e o aparecimento da ciência moderna, que em apenas quatro séculos levou o homem à Lua e permitiu compreender, como nenhuma outra forma de conhecimento o fez antes, as origens e as fronteiras do Universo.
“Os sábios da biblioteca [de Alexandria] estudaram o cosmos inteiro”, explicava Carl Sagan, no primeiro capítulo da saga, onde falava da mais famosa biblioteca da antiguidade, que terá reunido centenas de milhares de documentos escritos e foi destruída. “Cosmos é uma palavra de origem grega que significa ‘ordem universal’. É, num certo sentido, o oposto de caos. Implica uma profunda ligação de todas as coisas”, contava Sagan. Agora, é a vez de Tyson nos mostrar esta ordem, de novo.


Fonte:http://www.publico.pt/ciencia/noticia/vai-comecar-a-segunda-viagem-do-cosmos-1627502#/0

sábado, 24 de setembro de 2011

Neutrino ‘mais veloz que a luz’ põe físicos em suspense

Entre a cautela e a apreensão, comunidade científica aguarda seminário nesta sexta que discutirá medições de partículas viajando a uma velocidade acima da luz. Caso sejam confirmadas, a física pode mudar para sempre
Jones Rossi e Marco Túlio Pires
cern opera

O detector de partículas Opera, do CERN: ali foi descoberto neutrino que ultrapassou a velocidade da luz (Divulgação)

"Se for provado que o neutrino viaja acima da velocidade da luz, os teóricos terão que quebrar a cabeça para pacificar essa observação com tudo que já construímos e verificamos estar correto."

A revelação feita por cientistas do CERN de queflagraram partículas viajando acima da velocidade da luz — algo até agora considerado impossível — pôs a comunidade científica em suspense. Entre a cautela e o assombro, muitos físicos apostam em um possível erro do laboratório europeu. Mas, dada a respeitabilidade do centro científico que criou o acelerador de partículas LHC, todos aguardam o seminário que será realizado nesta sexta-feira para discutir as medições e, mais ainda, futuras tentativas de reproduzir o mesmo experimento. A cautela é compreensível: caso a descoberta se confirme, a física como a conhecemos poderá mudar para sempre.

Em entrevista ao site de VEJA, o físico brasileiro Ernesto Kemp disse ser bem possível que esteja errada a velocidade dos neutrinos medida no trajeto de 732 quilômetros entre o CERN, em Genebra, na Suíça, e o detector de partículas OPERA, em Gran Sasso, na Itália. Contudo, o cientista está apreensivo porque conhece o trabalho do OPERA. Kemp trabalha no laboratório ao lado: é colaborador do Large Volume Detector (LVD), um experimento que também mede neutrinos, mas vindos do espaço e não do CERN. "Conheço o trabalho dos pesquisadores do OPERA e eles não teriam publicado um dado assim se não tivessem certeza das medições que fizeram."


Incerteza -
Em entrevista à revista Science, Chang Kee Jung, porta-voz de outro experimento que faz a detecção de neutrinos, chamado T2K, explica que a parte complicada neste tipo de estudo é medir com precisão o tempo entre a criação da partícula e o momento em que ela atinge o detector. A medição depende do Sistema Global de Posicionamento, ou GPS, e a margem de erro pode chegar a dezenas de nanossegundos, diz ele, e não apenas 10, como o grupo do CERN afirma ter conseguido.De acordo com Kemp, apesar de o LVD não ter recebido o mesmo ajuste fino que o OPERA para analisar o feixe de neutrinos, seu experimento nunca detectou tamanha discrepância. "Pelo contrário, sempre percebemos que os neutrinos viajavam dentro da velocidade da luz, em concordância com a Teoria da Relatividade", disse.

Em 2007, Philippe Gouffon, professor do Departamento de Física Experimental do Instituto de Física da USP, também observou neutrinos acima da velocidade da luz em uma pesquisa feita na universidade, publicada noPhysical Review D, periódico da Sociedade Americana de Física. Ele afirma, contudo, que o resultado foi descartado por estar dentro do intervalo de incerteza, comum nesse tipo de experimento. "Vamos rever nossos experimentos", disse ao site de VEJA.

Erro sistemático - De acordo com Gouffon, o experimento do CERN ainda precisa ser confrontado: há uma série de erros possíveis. Assim como apontou Chang Kee Jung naScience, Gouffon também citou a possibilidade de um erro de sincronização no GPS. "E há outro problema: os próprios aparelhos de GPS são feitos baseados na Teoria da Relatividade", diz. "É como tentar medir um erro no instrumento usando o próprio instrumento."

Desvios metodológicos deste tipo acabam influindo em todo o experimento. É o que os cientistas chamam de "erro sistemático", o que explicaria por que 16.000 medições feitas pelos cientistas do CERN podem estar todas erradas. De qualquer forma, adverte Gouffon, é preciso esperar pelo seminário que ocorrerá nesta sexta-feira para confirmar os resultados. "Será chocante se isso estiver correto."

Revoluções - Kemp explica que se os resultados estiverem corretos, a revolução será profunda, mas não irá invalidar as descobertas já feitas a partir da Teoria da Relatividade, pilar da física moderna, em que Albert Einstein postulou que a velocidade da luz não depende de referencial e nada pode ultrapassá-la.

"Einstein não invalidou o mundo todo construído a partir da mecânica clássica", disse Kemp. "Quando propôs a Teoria da Relatividade, ele estava tentando pacificar várias observações físicas que não eram compatíveis teoricamente. Agora, se for provado que o neutrino viaja acima da velocidade da luz, os teóricos terão que quebrar a cabeça para juntar essa observação a tudo que já construímos em uma teoria única." O pesquisador lembra que tudo na ciência é feito com muita cautela e em passos de formiga. Daí a necessidade de replicar diversas vezes o experimento.

Ficção científica - Se confirmada, a descoberta pode dar margem a desdobramentos que hoje só a ficção científica pode vislumbrar. "Quando você postula a existência de partículas que são mais rápidas que a luz, elas teriam acesso a regiões do espaço-tempo antes proibitivas. Aí é domínio da especulação e ficção científica: seria possível voltar no tempo, alimentando equações da mecânica quântica com partículas mais rápidas que a luz com acesso a regiões do espaço-tempo no passado", diz Kemp. "Uma coisa é certa: se for verdade, é uma espécie de revolução. Muita coisa terá que ser revista e tudo isso é muito empolgante."



fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/descoberta-do-cern-e-recebida-com-cautela-e-entusiasmo-ao-mesmo-tempo


quarta-feira, 15 de junho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Físicos conseguem capturar antimatéria por 16 minutos

Cientistas fizeram um grande progresso na busca incessante pela antimatéria, um tipo de matéria rara no universo: eles conseguiram “prendê-la” por mais de 16 minutos em laboratório, tempo considerado uma eternidade na física de partículas.

A antimatéria é como uma imagem espelhada da matéria. Para cada partícula de matéria (um átomo de hidrogênio, por exemplo), existe uma partícula de antimatéria correspondente (nesse caso, um átomo anti-hidrogênio) com a mesma massa, mas com carga oposta.

Na verdade, os cientistas disseram que aprisionar átomos de anti-hidrogênio, ou seja, isolar as tais partículas exóticas, se tornou tão rotineiro que eles esperam em breve começar experiências com a substância rara.

“Pegar” a antimatéria é difícil, porque quando ela entra em contato com a matéria, as duas se aniquilam. Assim, um recipiente de antimatéria não pode ser feito de matéria normal, mas geralmente é formado por campos magnéticos.

No novo estudo, os pesquisadores capturaram anti-hidrogênio através da mistura de antiprótons com pósitrons (antielétrons) em uma câmara de vácuo, onde se combinaram em átomos anti-hidrogênio.

Todo o processo ocorreu dentro de uma “garrafa” magnética que tira proveito das propriedades magnéticas dos antiátomos para mantê-los estáveis. Uma garrafa normal, feita de matéria comum, não seria capaz de segurar a antimatéria, porque quando os dois tipos de matéria se encontram, elas se aniquilam.

Depois que os pesquisadores “prenderam” a antimatéria na garrafa magnética, puderam detectar os antiátomos presos através do desligamento do campo magnético, permitindo que as partículas se aniquilassem com a matéria normal, o que cria um flash de luz.

A equipe já conseguiu captar 112 antiátomos nessa nova armadilha, em tempos que variam de um quinto de segundo a mil segundos, ou 16 minutos e 40 segundos. Até hoje, desde o início do projeto, os cientistas capturaram 309 átomos anti-hidrogênio em várias armadilhas.

A esperança dos pesquisadores é que, até 2012, eles tenham uma nova armadilha com acesso a laser para permitir experimentos de espectroscopia nos antiátomos, fornecendo mais informações sobre as propriedades da antimatéria.

Dessa forma, eles estariam mais perto de responder uma questão que tem afligido os físicos: por que há apenas matéria comum em nosso universo?

Os cientistas acreditam que a matéria e a antimatéria foram produzidas em quantidades iguais durante o Big Bang que criou o universo, há 13,6 bilhões anos. No entanto, hoje não há nenhuma evidência de galáxias ou nuvens de antimatéria, e ela é vista raramente e por períodos curtos, por exemplo, durante alguns tipos de decaimento radioativo antes de se aniquilar em uma colisão com matéria normal.[LiveScience]

fonte:

http://hypescience.com/fisicos-conseguem-capturar-antimateria-por-16-minutos/


domingo, 5 de junho de 2011